Círculo de Amor!
Entre panelas, pratos, vinhos e temperos, junto ao fogo, acontece a cocção de palavras e idéias aromáticas. As receitas podem ser concretas ou abstratas... vai depender do que vai em cada um, do que constrói cada um, do desejar de cada um. É um lugar livre, de integração, mas também da possibilidade de divergir do que está posto no mundo. Todos são bem vindos! LE CUISINIER.
Oda al tomate Pablo Neruda Aqui magistralmente interpretada por Jorge Drexler no CD Eco2.
Não vi o nascer do sol hoje!
Assisti dois debates nos últimos dias em função das eleições de 2006.
Um, com candidatos à presidência da república. O outro, com os postulantes ao governo do Estado do Rio de Janeiro. Tenho acompanhado também, boquiaberto, a campanha política obrigatória e as declarações feitas em entrevistas e comícios por Alckmin, Luiz Inácio e Sérgio Cabral - o trio calafrio - e por uma enorme quantidade de parlamentares e "afiliados" que apoiam uma corrente ou outra. O sumo, o que resta após horas de vai lá - vem cá entre os candidatos, é a certeza de que estamos perdidos se tivermos que contar com essa gente. E quando digo essa gente, refiro-me a esses "políticos" moldados no mesmo barro que deu origem a criaturas como Maluf, Garotinho, PC Farias, Fernando Collor de Mello, Rosinha Garotinho, Jader Barbalho, para lembrar só alguns; alguns dos MUITOS da mesma estirpe, e que Brasil afora, pedem o nosso voto e "juram" amor eterno ao serviço público. Esses políticos são arrogantes, impermeáveis ao sofrimento de nossa gente, sobretudo de nossas crianças e jovens. Tagarelam e matraqueiam sem parar sobre o que vão fazer ou sobre o que não fizeram seus oponentes. Delineiam, em seu falatório, os rumos do Estado e do país partindo de uma cegueira peculiar que afeta esses senhores e senhoras. Amam mais seus interesses particulares e os cofres públicos, do que àqueles a quem prometem mundos e fundos na luta por mais um voto, e através dele, acesso ou permanência no poder. São sorridentes, simpáticos, amorosos e caridosos enquanto em campanha, ou diante das luzes e flashs da mídia, mas não estendem a mão para à Nação. Não ouvem os apelos gritados dos miseráveis, não enxergam a dura e trágica realidade que se abate sobre mais de cem milhões de brasileiros. Quando estão em seus gabinetes com tapetes persas, ou em seus carros blindados com ar condicionado e música suave, ou em "reuniões" em restaurantes caríssimos, são "tele transportados" para um mundo que não é o mesmo que vivem os brasileiros no seu dia-a-dia. E nessa realidade virtual construída, ficam ocupados demais. Ocupados demais com as artimanhas do "é dando que se recebe"; ocupados demais com os cabos de guerra entre eles mesmos na luta pela sustentação e consolidação de suas ambições políticas; ocupados demais em tecer as tramas do poder. De um tipo de poder que não é o que lhes dá a possibilidade e capacidade de REALIZAR as funções para as quais foram eleitos. Mas, ao contrário, se dedicam com afinco na estruturação de um poder que os habilitam a realizar os seus mais baixos anseios de dinheiro, fama e domínio. Nos falam do Brasil como sendo de TODOS nós, mas pensam e agem no Brasil como sendo deles, território particular, colônia de extração de riquezas em benefício próprio. São estéreis aos apelos de socorro que vem da população brasileira - de todos os cantos, recantos e rincões - por uma justiça mais igualitária e eficaz, por mais saúde, por educação de qualidade e acessível, por uma polícia parceira, democrática e eficiente, por mais trabalho, por mais cultura, por uma melhor distribuição de renda, por impostos mais justos e equilibrados e por uma "máquina estatal" que utilize, responsavelmente e em bebefícios da nação, os bilhões de reais oriundos desses mesmos impostos, pagos com o labor árduo do povo brasileiro, e dos que aqui escolheram para trabalhar, estudar e viver. Estamos perdidos se tivermos que contar com essa gente, com essa casta de 'coronéis' reeditados com cara de bons moços ou a capa de pais afetuosos e interessados em trabalhar pelo bem público. Apresentam-se como servidores da pátria mas a sugam até o último suspiro, se permitirmos que o façam.
Isso nos impõe uma reflexão: a necessidade, que temos, de definir um novo caminho e a urgência de efetivar ações que, concretamente, nos permitam trafegar em outro patamar, que nos possibilite alavancar a nossa sociedade e a nação para a realização de nossos anseios e desejos fundamentais. Essa é uma tarefa inadiável e a qual temos que dar curso já.
Um bom começo é manter uma intensa fiscalização dos políticos que estão sendo eleitos e reeleitos agora. Sobretudo aqueles que, sabemos, foram moldados, formados e forjados com a argamassa da mentira, da deslealdade e da corrupção.
"Eu quero terra, fogo, pão, mar, livros, pátria para todos"(1) e que o Brasil não durma mais amontoado em becos imundos, ou sob as marquises de prédios comerciais, ou nos cantos escuros das praças urbanas, ou nos presídios super lotados, ou nos lixões, ou nas escolas abandonadas. Esse Brasil sem rosto, coberto com a bandeira invisível da desesperança e do desamor, os políticos fazem questão de não ver. Nós não podemos fazer o mesmo que eles!
Sica, dei muitas risadas com esse vídeo porque somos nós no banho!!! Será que todo homem e mulher se comportam assim no banho? rsrs